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Observação de Aves

por Roberto M.F. Mourão, Instituto EcoBrasil
Fonte: Análise de Viabilidade da Observação de Aves em Unidades de Conservação, IBAMA, 2000.
Foto: Saira-de-sete-cores (Tangara seledon) © João Quental 
Ilustrações: Manual Melhores Práticas para o Ecoturismo, EcoBrasil © José Carlos Braga jcbraga@gmail.com 


Observação de Aves por Grupos Amadores ou Profissionais  
 
Promova o bem-estar das aves e seu ambiente natural

mpe manual brush birder fotografando fundoWEB
  • Apóie e fomente a proteção e a conservação de hábitats.
  • Não utilize práticas de atração de aves para fotografar, filmar ou gravar.
  • Limite o tempo de interação ao observar,fotografar, gravar ou filmar aves.
  • Não realize observação em áreas consideradas frágeis, utilizadas por aves para alimentação, descanso, acasalamento e/ou procriação.
  • Em hábitats onde é possível a observação, permaneça nas trilhas e estradas utilizando, sempre
  • que possível, camuflagem natural ou artificial.
  • Ninhais, áreas e locais de ocorrência de espécies raras ou ameaçadas de extinção, quando localizados, devem ser comunicados preliminarmente somente a autoridades e/ou pesquisadores.

    Caso seja possível a visitação, ocorrendo dentro de limites aceitáveis de capacidade de carga, antes de anunciar a presença de espécies raras ou ameaçadas de extinção, proceda à avaliação do potencial impacto negativo ao hábitat (ninhais, áreas de alimentação e/ou descanso etc.) ou de estresse da comunidade de aves somente facilitando ou induzindo fluxos de observadores, caso haja autorização para visitas e o acesso possa ser controlado. 
 
mpe manual brush birder fundoWEBLegislação, Normas e Direitos de Terceiros
 
  • Não promova a observação em áreas públicas e/ou privadas sem a autorização necessária dos responsáveis pela administração e/ou monitoramento.
  • Mantenha bom relacionamento com outros que igualmente têm o direito à observação, ajustando o tempo de interação de seu grupo.
  • Dê exemplo comportamental perante outros, sobretudo quando se tratar de amadores independentes ou menos experientes.
  • Quando autorizado e seguro, ao utilizar formas permitidas e de mínimo impacto para a atração de aves e observação (por exemplo, ao utilizar equipamento sonoro de pios e cantos), tenha o cuidado de não expor os animais a predadores naturais.
 
mpe manual brush observacao furtiva fundoWEBObservando em Grupo
 
  • Dê exemplo de comportamento.
  • Siga as orientações do guia ou de observadores mais experientes.
  • Respeite os interesses, os direitos e as habilidades de outros observadores.
  • Em caso de testemunhar mau comportamento ou falta de ética de outros observadores, avalie a situação e intervenha, caso julgue prudente, ou comunique a guias ou autoridades.
 

Normas para Agentes e Operadores
mpe manual brush birderflashcoruja fundoWEB
  • Tome conhecimento das normas locais aplicáveis para a observação e as informe aos componentes do grupo (por exemplo, proibição de uso de gravadores e playbacks).
  • Assegure-se de que os participantes de grupos de observação tenham conhecimento da ética e das práticas, relembrando sempre as normas e condutas.
  • Observe os limites de número de observadores na trilha ou na área de observação considerando outros grupos.
  • Mantenha grupos em tamanhos dentro dos limites permitidos de forma a que eventuais impactos sejam mínimos e mitigáveis.
  • Tenha sempre em conta que o bem-estar das aves e de outros animais silvestres, assim como a integridade de hábitats, é mais importante que os interesses dos grupos de observadores amadores (clubes, associações etc.) ou comerciais (agências, operadoras).

 

 

Observação de Aves

Fonte
Análise de Viabilidade da Observação de Aves em Unidades de Conservação, Ibama, 2000, Roberto M.F. Mourão.

JQuental Carcara Caracara plancus

 

Observação de Aves

por Roberto M.F. Mourão, Instituto EcoBrasil
Fonte: Análise de Viabilidade da Observação de Aves em Unidades de Conservação, IBAMA, 2000
Foto: Gavião Caracará (Caracara plancus) © João Quental 

 

Mercados e Marketing

marketing strategy fundoWEBHá muitas de maneiras de promover um produto ou um destino turístico. Por isso muitos operadores de turismo ficam questionando por onde começar sua estratégia de marketing.

A questão é' "Com tantas oportunidades, como sabemos como investir em marketing para obter o maior resultado possível com nossos investimentos, sobretudo em segmentos turísticos que trabalham em nichos de mercado especializados, com necessidades especiais, com limitação de recursos financeiros, ao contrário do que ocorre com o marketing para o mercado de massa, de alto fluxo?"

A resposta é simples: antes de escolher suas atividades de marketing, você precisa saber quem são seus clientes.


Você terá que encontrar respostas para as seguintes perguntas a fim de descobrir sua clientela e como ela comprará seus produtos, sobretudo quanto a:

  • ecoturista quem ehqual sua faixa etária, sexo, renda, estado civil, origem, situação familiar...
  • que literatura prefere, o que assistem na televisão, sua comida favorita, passatempos e hobbies
  • o que fazer para entrete-los, seus valores e por que eles valorizam
  • como e com quem viajam, por que viajam, quais suas duvidas quando planejando suas viagens, o que eles os emocionam

Após conhecer sua clientela, é bom saber o mudou na promoção do turismo da era digital:

  • seus clientes dependem de informação, via digital, para inspiração da viagem, bem como pesquisa e reserva
  • têm como comparar on-line e provavelmente planejarão com antecedência
  • pesquisam por meio de dispositivos móveis - celulares e tabletes que facilitam, além de fazerem reservas e check-in
  • pesquisam comentários, imagnes e videos de outros viajantes
  • estão aumentando a inscrição em programas de fidelidade.

Tendências:

  • marketing por meio de micro-plataformas com conteúdos locais, informações e estilo de vida atualizadas com o uso extensivo de recursos visuais e vídeos
  • profundo cruzamento de múltiplos canais de mídia social
  • ofertas atraentes, com experiências únicas e memoráveis
  • mais conteúdo pessoal e interação amigável com recomendações de usuários e comentários
  • assistência instantânea ao cliente via chat online
  • etc.
 
Mercado da Observação de Aves
 
Atualmente, os observadores de aves – birders ou birdwatchers – tornaram-se o maior grupo de observadores da vida silvestre do planeta e é o grupo que mais cresce setorialmente no mundo.
 
Trata-se de atividade que se resume em 'colecionar avistagem' de aves. Porém, em nenhuma das ciências relacionadas com a natureza, a linha que separa o amador do profissional (ornitólogo) é tão tênue. Esse fato faz com que o guia ou tour leader seja uma peça fundamental desse rentável segmento turístico.
 
birding journal kit fundoWEBSimultaneamente, o conhecimento das comunidades locais/regionais complementa os conhecimentos do guia especialista, numa parceria profícua e necessária, gerando postos de trabalho em regiões remotas e carentes por alternativas econômicas.
 
O observador amador e o profissional, com freqüência, trocam informações e conhecimento. É essa cumplicidade ou fraternidade crescente que faz com que os destinos ricos em diversidade de avifauna se tornem atrativos para observadores amadores. Observadores autênticos ou birders, como preferem ser chamados, são bem conhecidos por suportar qualquer sofrimento para 'somar' mais uma ave às suas listas de avistagem - conhecida como Life List. Lifer é uma espécie que um observador de aves está avistando (livre, na natureza) pela primeira vez.
 
Segundo Hector Cevallos-Lascuráin, um pioneiro do turismo de natureza, viagens para observação de aves são vistas atualmente como um segmento turístico bem definido, às vezes considerado ou confundido com ecoturismo, consistindo em pessoas visitando áreas naturais pouco impactadas ou degradadas com o objetivo de observar e colecionar aves em seus hábitats originais. Hector é um dos maiores 'colecionadores' de avistagem de aves, com mais de 2.500 aves em sua lista aves avistadas.
 
A atividade, se adequadamente desenvolvida, além de fomentar benefícios econômicos significativos para comunidades locais/regionais, pode ser importante ferramenta de proteção e conservação do ambiente natural.
 
 
Pelo mundo
(informações de 2001)
 
sandhill Crane Grus canadensis FloridaExistem centenas de agências e operadores promovendo viagens para observação de aves a praticamente todos os cantos do planeta, a maioria baseada nos Estados Unidos, no Canadá e na Inglaterra. Estima-se que a Inglaterra tenha mais de 1 milhão de observadores de aves, mercado controlado por operadores e emissores, baseados em Londres. África do Sul, Alemanha, Austrália, Espanha, França, Japão e Holanda mostram sinais do aumento de observadores, além de alguns modestos aumentos dos interessados em países como Argentina, Equador, México e Malásia.
 
Diárias de programas para observação de aves - sem contar a passagem aérea – custam por pessoa, em média, US$ 190 na Austrália, US$ 130 no Equador, US$ 185 no Quênia e US$ 300 na Antártica e Ilhas Falkland. (2000)
 
Em Nebraska, Estados Unidos, oito semanas de temporada de observação da migração de Sandhill Cranes (Grus canadensis) na primavera despejam cerca de US$ 60 milhões na economia local.
 
 
Atividade rentável 
 

birders MinsmerePor ser uma das atividades de turismo relacionadas pela natureza com maior taxa de crescimento, não se tem dúvida de que observar aves é uma atividade rentável. Vale comentar que caminhadas (hiking, trekking), uma das atividades ao ar livre mais populares mundialmente, não envolve guias e condutores com profundos conhecimentos científicos e técnicos, como a observação de aves.
 
Sabe-se que é muito tênue a linha que separa o conhecimento científico, ornitológico, de guias especializados e o observador experiente. Um fato que se deve destacar é que caça e pesca, atividades populares nos Estados Unidos, têm diminuído enquanto birdwatching tem aumentado.
Catalogo Victor Emanuel 2000 01 
É difícil definir o quanto é rentável a atividade pela diversidade de padrões de serviços disponíveis. Varia daqueles de grupos de amigos e/ou amadores que se reúnem informalmente em clubes de observação – cujos custos se limitam a despesas de transporte compartido, alimentação e ingressos – até luxuosos passeios e cruzeiros em navios de porte médios, oferecidos por especialistas em birdwatching ou natural history tours.
 
Em geral, rentabilidade e volume de clientes é segredo comercial de agentes e operadores. Mas se pode ter uma idéia da variação da margem estabelecida (mark up) – que vai de um mínimo de 10% a 50%, podendo chegar ao cliente com o dobro do custo operacional (net price).
 
Esse desvio padrão no estabelecimento de margens de lucro é influenciado por diversos fatores:
 
  1. Perfil e número de pessoas no grupo
  2. Conhecimento do destino
  3. Categorias de alimentação e hospedagem
  4. Período do ano / Temporada
  5. Tradição, experiência e qualidade dos operadores.
 
Principais indutores de fluxo de observadores
 
Para considerarmos um destino confiável e de qualidade para observação de aves, abaixo seguem os principais indutores de fluxos de observadores.
 
1. Aves interessantes (good birds)
    - ocorrência de aves endêmicas, especiais e raras.   
 
2. Informações disponíveis
    - guias de campo
    - listas de aves atualizadas
    - informações sobre sazonalidade e diversidade dos hábitats visitáveis
    - guias especializados, bilíngues
    - mateiros capazes de achar e identificar as aves comuns, endêmicas, especiais e raras.
 
3. Condições de acesso a hábitats
 
4. Infraestrutura, facilidades e serviços
    - alimentos, bebidas, hospedagem etc.
    - sanitários, abrigos sombreados e protegidos de insetos (blinds), etc.
 
5. Preços justos
    - compatíveis com os serviços turísticos contratados e a qualidade do destino.


National Geographic Explorer birderExplorer, navio da National Geographic, em parceria com a Lindbladt Expeditions, com grupo de observadores de aves na Antartida.
O Nat Geo Explorer vem regularmente à costa brasileira, parando em Fernando de Noronha para observação da vida silvestre.
 

 

 

Observação de Aves

Fonte
Análise de Viabilidade da Observação de Aves em Unidades de Conservação, Ibama, 2000, Roberto M.F. Mourão.

 

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Observação de Aves

por Roberto M.F. Mourão, Instituto EcoBrasil
Fonte: Análise de Viabilidade da Observação de Aves em Unidades de Conservação, IBAMA, 2000.


Introdução

Os observadores de aves representam o maior grupo de observação da vida silvestre do planeta.

Nesta seção, você vai receber informações gerais e específicas para desenvolver a atividade de maneira segura e sustentável.

Serão abordados temas como:

  • Histórico da observação de aves no Brasil e no mundo
  • Mercado da observação de aves
  • Equipamentos para a observação

Devemos enfatizar a interessante parceria entre o 'observador profissional' - biólogo, ecólogo, ornitólogo - e o amador, assim como que a  atividade beneficia economicamente as localidades onde ocorrem e as pessoas, direta (prestadores de serviços turísticos e a comunidade local) e indiretamente, relacionadas com a observação de aves.


Breve Histórico

Observar aves é uma atividade que existe há bastante tempo. Antes do século XIV, o interesse por história natural, em especial pelas aves, tinha se tornado popular na Inglaterra, chegando mais tarde aos Estados Unidos.

Charles DarvinConforme publicação de Lincoln Barnett, da The Wildlife Society, o interesse de Charles Darwin (foto à esquerda) pelas aves era tão grande que certa vez ele questionou: “Por que todos os cavalheiros ingleses não se dedicam à ornitologia?”

Na Inglaterra, o interesse pela ornitologia começou no fim do século XVIII, mas era uma atividade aristocrata, praticada por proprietários rurais em suas terras.

Durante anos, observar aves era uma atividade solitária. Um livro que muito influenciou a atividade foi Natural History of Selborne, escrito e publicado em 1789 por Gilbert White, religioso de Hampshire, Inglaterra. O autor foi pioneiro em escrever cuidadosas notas de campo das suas observações de aves, anotando e divulgando importantes marcas de identificação. O objetivo de sua publicação era, em suas próprias palavras, “uma humilde tentativa de promover uma investigação mais minuciosa em história natural, na vida e na comunicação de animais”, e nisso ele foi extremamente bem-sucedido.

A era da observação organizada de aves nos Estados Unidos começou em 1873, quando a Nuttall Ornithological Club – primeira organização norteamericana dedicada à observação e ao estudo de aves – foi criada em Boston por dois jovens ornitólogos: William Brewster e Henry Henshaw.

 

National Audubon Society: pioneirismo

logo AUDUBONViagens organizadas para atender a interesses especiais (special interest travels) foram moda por muito tempo na Europa: observação de flora e fauna, visitas a castelos, museus, viagens gastronômicas.

John James Audubon fundoWEBpngPorém, a observação de aves teve seu início na década de 1940, nos Estados Unidos, quando John Baker, então presidente da National Audubon Society (John James Auduboin, foto à direita), ficou preocupado com o dilema de algumas espécies ameaçadas da Flórida (snail kites, sandhill cranes e crested caracaras).

Era difícil motivar a população para a proteção dessas aves em virtude do impacto econômico da caça aos patos selvagens para a hotelaria local, considerando que os observadores de aves naqueles tempos ainda não eram representativos. 

A National Audubon Society se movimentou no sentido de motivar a observação de tais espécies. A idéia funcionou. Os hotéis às margens do Lago Okeechobee logo ficaram repletos de observadores de aves que se inscreveram para excursões conduzidas por guias especializados e guardas-parques.

Roger Tory Peterson bird guide 1934A atividade de observar aves nos Estados Unidos pode ser dividida em quatro períodos:

  1. quando Willian Brewster e seus colegas organizaram observações;
  2. quando a National Audubon Society popularizou a observação de aves e difundiu critérios de proteção para esses animais (na virada do século XX);
  3. a partir da produção do guia de aves, iniciado em 1934 por Roger Tory Peterson, fazendo com que o número de observadores subisse para milhões;
  4. atualmente, quando a facilidade das comunicações e das viagens permitem que observadores de aves viajem ao redor do planeta à procura de aves interessantes e raras.

 

William Belton, um pioneiro no Brasil
 
Em meados dos anos 40, um observador de aves amador norte-americano de nome William Belton, foi enviado ao Brasil para ocupar o cargo de consul em Porto Alegre. Benton que permaneceu em Porto Alegre de 1943 a 1948, se dando conta do enorme potencial para a observação de aves no Brasil.
 
Observador de aves amador, conheceu e ficou amigo de Helmut Sick (Heinrich Frieddrich Helmuth Sick), alemão, naturalizado brasileiro, ornitólogo pioneiro e um dos poucos estudiosos das aves brasileiras na época, de forma séria e sistemática, ligado ao Museu Nacional do Rio de Janeiro. Entre as mais significativas realizações de Belton estavam as mais de mil gravações de campo que realizou com pássaros, principalmente no Rio Grande do Sul. Hoje parte dos arquivos da Cornell University (Cornell Lab of Ornithology), elas registram os sons produzidos por diversas centenas de espécies.
 
Em 1970, já aposentado, escolheu Gramado como seu lugar de residência e de lá partiu, em inúmeras expedições, para os mais diversos rincões do estado do Rio Grande do Sul. Em 1972 ministrou o primeiro curso de extensão na Unisinos, que foi repetido em 1974 por um de seus discípulos, o biólogo Flávio Silva. Ao final desse segundo curso, com os participantes acampados às margens do Rio Caí, na fazenda Chaleira Preta (hoje Pólo Petroquímico de Triunfo), surgiu a ideia de fundar um Clube de Observadores de Aves. Assim, no dia 11 de novembro de 1974, foi fundado o primeiro COA do Brasil. Walter Voss foi um dos presentes naquele momento e um grande entusiasta da atividade nos anos que se seguiram.
 
Aos poucos a notícia se espalhou e outros núcleos de observadores, também chamados COA, foram surgindo em diversos estados do Brasil.

 
 

Observação de Aves

Fonte
Análise de Viabilidade da Observação de Aves em Unidades de Conservação, Ibama, 2000, Roberto M.F. Mourão.

 

 

 

 

CCT Trindade Juatinga vilas comunidades 
Proposta de Ordenamento Turístico da Região Trindade-Juatinga
Vilas de Trindade e Oratório - Cond. Laranjeiras - Praias do Sono e Ponta Negra

 

CCT Trindade Juatinga mosaicobocaina foco

 

Contexto Regional 

Os ecossistemas costeiros são altamente diversificados, ricos em recursos naturais e de grande importância ecológica, econômica e social. Apesar da grande importância da aplicação de técnicas apropriadas para manejo dos ecossistemas costeiros, o Brasil ainda dispõe de pouca experiência no ordenamento do uso desse espaço e de seus recursos naturais. A falta de planejamento agrava o quadro de degradação ambiental atingido por conta do uso desordenado desses ecossistemas.

A região foco deste estudo será a região litorânea compreendida entre a Ponta da Trindade e a Ponta da Juatinga, município de Paraty. Esta região está inserida na Baía da Ilha Grande, localizada no extremo sudoeste do Estado do Rio de Janeiro (22°50´ - 23°20´S e 44°00´- 44°45´W).

CCT TJ mapa regional praias

A diversidade de ambientes da região, incluindo ecossistemas de florestas, rios, mangues, estuários e costões, com fronteiras e efeitos de borda nítidos, sugere uma complexa conexão entre os mesmos, caracterizando uma alta diversidade de espécies. Tal conexão é vital em termos de ciclagem de nutrientes, ciclo de vida das espécies e funcionamento dos diversos sistemas naturais, tornando o manejo e conservação dos recursos locais um desafio.

CCT Trindade Juatinga baia ilha grande mapaA Baía de Ilha Grande é considerada área prioritária para a conservação da biodiversidade das zonas costeiras e marinhas, possui área de 2.134 km², que abriga uma grande beleza paisagística e uma rica fauna e flora, que se situa entre as duas maiores metrópoles da América do Sul, as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

O uso conflitivo dos recursos naturais, vem acarretando uma progressiva degradação de grande parte de suas potencialidades de geração de riquezas e emprego.

A dinâmica econômica e as formas de uso do solo da região da Baía da Ilha Grande sofreram alterações significativas a partir do final da década de 1970, com a construção da rodovia Rio-Santos, para servir como alternativa à Presidente Dutra e com o propósito, secundário, de estimular o turismo nessas regiões. A abertura dos acessos a essa parte do litoral brasileiro ocasionou transformações em ritmo acelerado, sem planejamento adequado, caracterizadas pela urbanização da paisagem e a implantação de atividades turísticas, a especulação imobiliária e o deslocamento de populações.

O equilíbrio entre o turismo e os aspectos ambientais e culturais das áreas onde este ocorre é crítico. Se o meio ambiente e as culturas locais são impactadas, ou se o fluxo turístico é incipiente ou inadequado, perde-se um importante fator de motivação para a proteção e conservação dos patrimônios ambiental e cultural.

A atividade turística constitui uma das principais fontes de desenvolvimento regional sustentável, com efeitos positivos sobre a geração de emprego, renda e qualidade de vida. No entanto o desenvolvimento sustentável requer ações para reduzir as pressões destrutivas sobre o ambiente, sobre a integridade cultural e qualidade de vida da população local.

O ordenamento do uso dos recursos culturais, naturais e cênicos, dentro dos princípios da sustentabilidade, deve buscar diretrizes que permitam uma relação equilibrada e harmoniosa entre Turismo x Meio Ambiente x Comunidades.

A proposta de ações direcionadas para o desenvolvimento do turismo sustentável necessita apoiar-se em estudos que avaliem seus impactos positivos e negativos, dimensionando, de forma sistêmica, as variáveis econômicas, sociocultural e ambiental. Para ser consolidar como atividade sustentável, o planejamento do turismo na região deve ser integrado com o desenvolvimento local, envolvendo a participação ativa das comunidades locais, a fim de alcanças seus objetivos sustentáveis e princípios pressupostos.

Para a elaboração deste estudo será adotada a abordagem metodológica de micro-bacia hidrográfica como unidade de análise, considerando a dinâmica da mesma, nos âmbitos físico, biótico e socioeconômico e suas relações.

Pretende-se desta forma desenvolver ferramentas e procedimentos de gestão, centrados na qualidade (saúde) ecológica, através da compreensão e análise do funcionamento e dinâmica da bacia hidrográfica e a relação entre o uso e cobertura do solo e ecossistemas costeiros, através da proposição de índices e indicadores de sustentabilidade apoiado no uso de geotecnologias.

  

Proposta de Ordenamento Turístico da Região Trindade-Juatinga  

Observação
As praias da Juatinga - Condomínio Laranjeiras, Sono, Antigos, Antiguinhos e Ponta Negra ainda não tem seus Números Balizadores da Visitação (NBVs) definidos. 


Conceitos Relacionados

Capacidade de Carga Turística (CCT)

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